calcanhar
pense bem. se a ignorância é uma benção e é melhor não saber de certas coisas para não se preocupar ou se entristecer em relação a elas, será que, de alguma forma, não estaríamos abrindo mão de uma felicidade real em nos "conformarmos" com a realidade, em detrimento de fingirmos ou acharmos que somos felizes relevando as coisas ruins que acontecem na nossa vida e no mundo ??
existem coisas que você acha que fazem mal, e depois descobre que apenas não gosta, mas que são necessárias para o seu bem estar. ou você vai dizer que gosta de absolutamente todos os legumes [especialmente jiló e pepino], e que sempre gostou deles, até na infância ?? a maioria de nós não suportava aquele gosto, mas cresceu, se adaptou, entendeu que era importante pra si, e hoje tolera tudo [mas talvez ainda não coma, ok]. com os fatos e acontecimentos que nos rodeiam também é assim. você pode não gostar de algo que outras pessoas praticam, mas isso não faz de você uma pessoa pior. ao contrário. ao compreender isto, não por se acomodar, mas por questionar até entender, você se torna uma pessoa melhor. e ironicamente, mais feliz.
aliás, isso é a serenidade. é entender como uma certa parte do mundo funciona, e deixar de se intrigar por ela. mas serenidade é assunto pra outro post.
voltando ao ponto do segundo parágrafo: absorvendo conhecimentos distintos e passando por situações diferentes, sentimos algo distinto e diferente em nós mesmos: mudando, crescendo ou morrendo, dentro da nossa cabeça. e precisamos de vários sentimentos para sermos mentalmente saudáveis, inclusive alguns ruins. e não podemos nos concentrar apenas em um ou 2, é necessária uma gama de sentimentos diversos e opostos para que saibamos nos comportar, nos defender, para que estejamos "preparados para os causos da vida", para que não sejamos pegos desprevinidos nem percamos o controle.
felicidade não é um resultado final. é uma consequencia do que você faz todo dia, e não durante a vida. não vale a pena buscar desenfreadamente a felicidade. se todos os sentimentos estiverem presentes, cada um na sua devida proporção, a felicidade também estará. e tudo em excesso faz mal, certo ?? felicidade também. até porque ser "super-feliz" é para quem não é encanado em ser feliz a qualquer custo. quanto maior a sua preocupação em ser feliz, menor a sua chance de ser feliz de verdade.
você não é obrigado a ser feliz. é estranho dizer isso, mas hoje as pessoas tem uma necessidade tão grande de demonstrar que são felizes, que se parece que você não é feliz, algumas pessoas [idiotas] podem te enxergar como uma pessoa pior. você não precisa ser feliz porque os outros são felizes. seguindo seus sonhos e fazendo as coisas que você gosta de fazer, você simplesmente será feliz. pronto.
e seguindo a mesma linha da idéia anterior, é até absurdo e egoísta se importar apenas e exclusivamente com a própria felicidade. em vez de procurarmos sempre mais felicidade para nós mesmos, até quando já estamos num nível satisfatório, por assim dizer, deveríamos compartilhar o excesso com quem tem falta e não tem condições de buscar a própria felicidade, pelo menos no momento. claro que existem pessoas que não buscam nunca, e porque simplesmente não querem mesmo. claro que existem pessoas que simplesmente vão recusar a oferta. mas tornando uma parte do mundo fora de nós mais feliz, quem sabe um dia, realmente não precisemos nos preocupar com as coisas que nos deixam tristes por elas simplesmente terem deixado de existir.
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o ideal é procurar o equilíbrio. é impossível ser feliz o tempo todo. então, se você consegue aproveitar os momentos chatos/tristes/estressantes aprendendo com eles, cada vez mais será mais fácil lidar com eles. agora, se você se fecha pra evolução e finge que está num conto de fadas, numa vidinha perfeita, aí quando vier um tombo sentimental/financeiro/o-que-for, vai doer cada vez mais
[ thiago jogue seu nome na wikipédia e veja o significado literal e depois compare com o título ]










