madeira + neon
o meu norte não é você, sou eu mesmo
porque ao me conduzir pelo meu leste é que descubro, que você é o meu sol
mil noites não bastariam perto das trevas que são a tua falta
ao passo que lhe desejarei bons sonos até que o sol toque-lhe novamente
mas estes prazeres tão violentos de bons,
também me trazem fins violentos, de dor
neste ápice de amor sou conduzido a uma satisfeita morte
como se nossos beijos fossem de fogo e pólvora
que, ao se entrelaçarem, se consomem um ao outro,
e somem da vista possível
ou como o mel, um para o outro
que de tão doce é odiosamente a seiva das abelhas
nesses dias agora quentes, meu sol
minha parte louca de sangue se agita
enquanto já tendo jurado pela lua, para ti
que se acabe afinal, este adorno de prata noturna,
que as vezes suja nossos topos de casas e árvores
e que nem ao menos nos conforta sem cessar,
fugindo para o infinito cosmos
das estrelas, e de nós
que se acabe, e que fique apenas o calor
o teu calor
que queime a minha vida e me faça puro outra vez,
pois se há algum pecado em ser-te apaixonado
então este é um pecado bom
dado o meu juramento, espero o teu
antes que diga que por mim já estava jurado, antes de nos conhecermos
jure agora, faça-me ouvir
carregue-me de novo com as asas que o meu cupido lhe emprestou
pois este meu amor é tão pesado
que me faz desejar nunca ter te amado
como posso eu passar por mal tão aflituoso,
nunca tendo feito, desejado ou arquitetado algo contra ti?
como posso conseguir suportar tanta submissão e desonra?
por quem posso dizer que esta, afinal, é uma praga?
aliás, tenho até medo de já ter sido feito de carne de vermes
antes de me desvencilhar
de te amar
_
Antes que comecem: não estou apaixonado, gente !!
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