Os iguais

Como podem as coisas se misturar desse jeito, comigo ainda no meio? Tá tudo meio distorcido aqui. Que saudade é essa que eu tenho, de alguém que nunca tive? De um lugar em que nunca estive, e nem mesmo vi? Porque quero tanto as coisas que me fazem mal? Porque não consigo me desvencilhar de me atormentar com certos assuntos tão banais?
As outras pessoas conseguem. Por que eu não?
Estou sempre fugindo. E estou sempre querendo ir mais rápido. Nem sei pra onde vou. Mas nem penso em desacelerar.
Odeio o freio.
Essa desgraça que é a incredulidade. É o que barra a nossa evolução, como gente e como espécie. Não é o dinheiro. Não é o amor. Não é deus.
É porque as pessoas não acreditam em si mesmas. As pessoas não têm sonhos. Não mais.
Odeio viver no automático. Como se o amanhã fosse igual a hoje. Que é igual a ontem. Que foi igual ao que será amanhã. Dane-se que será o último dia da minha vida.
Amanhã será diferente. Mas não sempre, porque aí seria a mesma coisa.
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