27.7.11

Dinheiro resolve

Se você precisa de algo,
simplifica,
vai desmontando,
que não sei quando,
mas uma hora chega em algo comprável.

Os homens resumem amor a sexo.
Aí tem as prostitutas.
Cada uma com seu preço.
E as vezes o prazer vem em forma de vício.
Jogos, drogas e coleções.
Obsessões.
Caras.

As mulheres descontam suas rotinas:
Comida, compras, TV,
E sonhos com príncipes encantados
Que estão atrasados
Mas que ainda valem o investimento:
Perfumes, cabelo, roupas e sapatos.
Sapatos demais.

Até as crianças.
Aliás, as crianças são as mais cruéis.
Não querem nem saber.
Se hipnotizam com as propagandas
E precisam mais que tudo
E sempre da última geração.
Diversão.
De montão.

Agora, e sem dinheiro,
Como é que fica?
Tem gente que se diz
Mais infeliz
Quando o bolso está liso.
E vai lá, faz uma besteira
Pra disfarçar
Ou pra enriquecer um pouquinho, né.
Adultérios e transgressões
Crimes não, porque “sou pobre
Mas não sou burro”
Mas é descoberto e vai preso.

A gente sente o coração vibrando
Como as engrenagens de um relógio
Com os sonhos onde gastamos
Mais do que podemos.

E até quando não estamos sonhando,
mesmo.

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